Acusação apresenta ordem de execução assinada por Saddam

A acusação apresentou hoje em tribunal uma carta assinada pelo ex-presidente Saddam Hussein que aprova a condenação à morte de 148 aldeões xiitas após um ataque ao seu cortejo automóvel em Dujail (norte de Bagdad), em 1982.

Durante a 13ª sessão do Alto Tribunal Penal, o procurador-geral exibiu vários documentos contra o antigo ditador e os outros sete arguidos no julgamento, que poderão ser condenados à pena de morte embora se declarem inocentes.

O primeiro, assinado por Saddam Hussein e com a data de 27 de Maio de 1984, envia a tribunal 148 pessoas presas. O segundo é o veredicto do tribunal, datado de 14 de Junho de 1984 e assinado pelo juiz presidente Awad Hamad al Bandar, que condena à morte os arguidos e lhes confisca os bens.

O terceiro, com data de 16 de Junho de 1984 e assinado por Saddam Hussein, aprova a decisão do tribunal.

Entre os documentos da acusação figura também uma carta da presidência, datada de 12 de Março de 1985, enviada aos ministérios do Interior, Justiça e Assuntos Sociais, assinada por Ahmad Hussein Khodeir, chefe do gabinete do presidente, ordenando a execução das 148 pessoas.

O procurador apresentou ainda uma carta do chefe dos serviços de segurança (Mukhabarat) de 23 de Março de 1985 enviada aos responsáveis pela prisão de Abu Ghraib ordenando-lhes que executem imediatamente as 148 pessoas.

Mostrou também uma carta dos responsáveis da prisão, igualmente de 23 de Março, certificando que os 148 condenados tinham sido enforcados, com uma lista dos seus nomes e dos que participaram nas execuções, bem como do médico que certificou as mortes, Mahar Hana Mati.

Durante a apresentação dos documentos, nenhum dos arguidos questionou a sua autenticidade, tendo Saddam Hussein posto apenas uma questão de pormenor.

«Estes homens foram condenados à morte sem terem assistido ao seu julgamento e sem, obviamente, poderem defender-se», disse o procurador.

A audiência de hoje durou três horas e o julgamento prossegue quarta-feira.

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