Felipão é o rei do mata-mata

O Felipão voltou ao passado recente e deu esperança ao futuro próximo de Portugal. Ele incorporou o treinador do heróico Grêmio da Taça Libertadores da América dos anos 90 e o definitivo técnico do Palmeiras da virada do milênio.

Juntou os dois e adicionou um pouco mais da sua experiência de quase quatro anos na Europa. Ajudou a colocar a seleção portuguesa nas quartas-de-final, depois de 50 anos. O novo inimigo é a Inglaterra. Felipão somou a sua 11ª vitória em 11 jogos de Copa.

Fazia anos que eu não via o Felipão tão Felipão. Nem na Seleção Brasileira foi assim. Na Copa da Ásia, Luiz Felipe Scolari esteve muito mais controlado.

Na decisão das oitavas-de-final, ele andou de um lado para o outro no espaço mínimo reservado ao treinador. Gritou, xingou, brigou e venceu. Encarou o juiz, o auxiliar, os bandeirinhas, os representantes da Fifa e os holandeses em geral. Apavorou Van Basten, técnico da Holanda, que reclamou da falta de futebol durante os quase 100 minutos de partida.

O jogo ganhou um lugar na história das 18 Copas. Não pelo jogo. Pelo absoluto anti-jogo. Nos últimos 45 minutos, Portugal fez de tudo para passar o tempo, matar o jogo, evitar que a bola rolasse naturalmente.

O russo Valentin Ivanov levantou 16 cartões amarelos e quatro vermelhos em Nuremberg, recorde em uma partida de Copa. Depois do jogo, da vitória de 1 a 0, Felipão enfrentou os repórteres na entrevista coletiva e falou:

– O jogo teve a minha cara, a cara da superação. Foi um jogo típico de Libertadores. É meu papel fazer os jogadores correrem um pouquinho mais, lutarem um pouco mais. É assim que se vence.

É, ás vezes, é assim que se vence. Azar de quem vê, do futebol. Sorte de quem torce, de quem é português.

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