Mercado de trabalho deve crescer menos em 2005

O mercado de trabalho do setor industrial foi destaque positivo em 2004. Depois de registrar um aumento de 3,16% no acumulado de janeiro a novembro em relação a igual período de 2003, o emprego industrial deverá fechar o ano de 2004 com um crescimento entre 3,5% e 3,6%.

Segundo o coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, o bom desempenho do mercado de trabalho também se manifesta no aumento dos salários pagos pelo setor industrial. A recomposição da renda do trabalhador é resultado do crescimento do emprego e da redução da inflação.

A estimativa é de que a massa salarial (combinação de emprego e rendimento) cresça de 8,5% a 9% em 2004, sendo que o rendimento médio real do salário da indústria deverá subir 5%. Castelo Branco disse ainda que a oferta de emprego não deverá manter a mesma taxa de expansão nos próximos meses.

– O mercado de trabalho deverá continuar crescendo em 2005, porém num ritmo mais moderado – afirmou.

Isso porque, os últimos meses de 2004 indicam uma taxa anualizada de crescimento do emprego de 9%, percentual característico de períodos de retomada da atividade num ritmo intenso e de confiança no futuro da economia, que não se perpetuará num prazo muito longo. A recuperação dos salários também deverá ser observada em bases mais moderadas.

A demanda doméstica, principalmente o consumo das famílias, será o impulso da economia brasileira para 2005. Segundo o economista da CNI Paulo Mol, as exportações deverão continuar crescendo, mas seus efeitos serão amenizados pelo aumento das importações.

Na avaliação de Flávio Castelo Branco, os reflexos do aperto monetário implementado pelo Banco Central no fim de 2004 deverão ser observados no início deste ano, com certo arrefecimento da atividade industrial. Na avaliação do economista, os juros estão sendo mantidos em patamares elevados por um período mais longo que o esperado.

Ele acredita que, nos próximos dois ou três meses, os juros voltem a cair, porque não há sinais de pressões de custo originários de excesso de demanda na economia. Com a queda dos juros, será possível recompor o câmbio, que está valorizado por causa do aperto monetário.

Castelo Branco afirmou ainda que a previsão é de que, em março, seja observado um reaquecimento da atividade industrial. Segundo ele, não há ameaça de estrangulamentos na produção. O nível de utilização da capacidade instalada do setor se intensificou, mas não indicou que está próximo de atingir seu limite. Isso mostra, na avaliação do economista, que estão sendo feitos investimentos na economia.

Além disso, a manutenção do alto ritmo de uso da capacidade produtiva, num ambiente de confiança na economia, é um estímulo para o industrial investir ainda mais e atender à demanda.

Deixe uma resposta

inMarket