Milhares dão último adeus ao presidente da Fiat

Milhares de italianos prestaram sua última homenagem ao presidente e fundador da Fiat, Umberto Agnelli, durante velório neste sábado.

Agnelli morreu na quinta-feira aos 69 anos, apenas 16 meses depois de assumir a presidência da fabricante de automóveis e após finalmente sair da sombra de seu irmão mais velho e mais famoso, Gianni.

Sua morte traz dúvidas sobre o comprometimento de uma das famílias mais admiradas da Itália com a Fiat, principal empregadora privada do país.

"Termina um reinado muito breve para deixar uma marca eterna", escreveu o jornal italiano la Repubblica em um dos muitos editoriais estampados na primeira página dos diários do país.

"Mas, ao mesmo tempo, começa uma era de incerteza que não tem precedente nesse século repleto de crises da Fiat."

Famosos e anônimos fizeram fila para prestar sua última homenagem no museu da Fiat, onde o corpo do homem chamado de "o outro Agnelli" foi velado, rodeado por carros e faixas da cidade de Turim e do clube de futebol da família, o Juventus.

O primeiro ministro Silvio Berlusconi também deve comparecer no local antes de o corpo de Agnelli ser enterrado em um túmulo da família durante cerimônia privada, ao lado de seu filho, que morreu em 1997 aos 33 anos, também de câncer.

"Esse homem não era tão visível quanto seu irmão Gianni, mas trabalhou e contribuiu muito para a Fiat, Turim e Itália", disse Joaquino Contracchio, ex-empregado da Fiat de 66 anos.

"Quando seu irmão Gianni morreu, sabíamos que ainda havia o Umberto para assumir a empresa. Não sei se os membros mais jovens da família podem substituí-lo."

O fabricante de carros de 105 anos foi uma das principais empresas da Itália no boom pós-guerra e esteve no centro das agitações trabalhistas nas décadas de 70 e 80. A falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento, a fraca diversificação de produtos e uma crescente competição no setor levaram a empresa à sua pior crise em 2002.

Agnelli e o novo presidente-executivo Giuseppe Morchio criaram um plano de recuperação, mas apesar da redução das perdas e do lançamento de novos modelos, o futuro da sexta maior fabricante de carros da Europa ainda é nebuloso.

Entre os principais candidatos à presidência da Fiat estão o advogado da família, Franzo Grande Stevens, e Gianluigi Gabetti, presidente da Ifil, holding pelo qual os Agnelli controlam a Fiat, o clube Juventus e a rede de lojas de departamento Rinascente.

Mas ambos têm mais de 75 anos, idade obrigatória de aposentadoria na Fiat, de modo que sua indicação exigiria uma mudança nos regulamentos da empresa.

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