POBRES ALUNOS, BRANCOS E POBRES…

Entre as lembranças de infância, destaco a alegria de iniciar meus estudos em escola pública na cidade de São Joaquim, SC.

As aulas eram alegres, alunos todos uniformizados, enfileirados para entrar na sala de aula. A saudação a Bandeira, o Hino Nacional, a reza antes e depois das aulas.

Éramos jovens de todas as camadas. Filhos de profissionais liberais, de militares, de professores, de empresários, de modestíssimos comerciários e bancários.

Era um quadro muito equilibrado. Negros, mulatos, caboclos, brancos, índios, enfim, um pequeno Brasil em cada sala. Quem viveu no governo Carlos Lacerda se lembra ainda de como o magistério público do ensino básico era bem considerado, respeitado e remunerado. Hoje a população pobre do País não está tendo governos capazes de diminuir a distância econômica entre ela e os mais ricos. Com isso se instala a desigualdade na hora da largada. Os mais ricos estudam em colégios particulares caros. Fazem cursinhos caros. Passam nos vestibulares para as universidades públicas e estudam de graça, isto é, à custa dos impostos pagos pelos brasileiros, ricos e pobres.

Os mais pobres estudam em escolas públicas, sempre tratadas como investimentos secundárias, mal instaladas, mal equipadas, mal cuidadas, com magistério mal pago e sem estímulos.

Se melhorassem de fato as condições de trabalho do ensino de primeiro e segundo graus na rede pública, ninguém estaria pleiteando esse absurdo.

As cores, muitas. As brancas não parecem arianas. Nem se pode dizer que todas as mulatas são negras.

Afinal, o Brasil é assim. A nossa mestiçagem aconteceu. O País não tem dialetos, falamos a mesma língua. Não há repressão religiosa.

A Constituição determina que todos fossem iguais perante a lei, sem distinção de nenhuma natureza!

Portanto, é inconstitucional querer separar brasileiros pela cor da pele. Isso é racismo! E racismo é crime inafiançável e imprescritível. qual é o problema, então? É simples, mas é difícil.

Hoje, com a visão equivocada de que um sistema de ensino depende de prédios e de arquitetos, nunca a educação dos mais pobres caiu a um nível tão baixo. Achar que os únicos prejudicados por esta visão populista do processo educativo são os negros é uma farsa. Não é verdade. Todos os pobres são prejudicados: os brancos pobres, os negros pobres, os mulatos pobres, os judeus pobres, os índios pobres! Quem quiser sanar esta injustiça deve pensar na população pobre do País, não na cor da pele dos alunos. Tratem de investir de verdade no ensino público básico. Melhorar o nível do magistério. Retornar aos cursos normais.

Acabar com essa história de exigir diploma de curso de Pedagogia para ensinar no primeiro grau. Pagar de forma justa aos professores, de acordo com o grau de dificuldades reais que eles têm de enfrentar para dar as suas aulas.
Se desejam que os alunos pobres, de todos os matizes, disputem em condições de igualdade com os ricos, melhorem a qualidade do ensino público.

Economizem os gastos em propaganda. Cortem as mordomias federais, as estaduais e as municipais. Impeçam a corrupção. Invistam nos professores e nas escolas públicas de ensino básico.
Os pobres precisam de igualdade de condições na largada.

Fonte: Luiz Nascimento Carvalho 

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